ENTREVISTA BSM

“Liberdade depende da vitória de Bolsonaro”, diz José Antonio Kast

Paulo Briguet e Diego Hernandez · 1 de Outubro de 2022 às 13:08

José Antonio Kast, um dos mais influentes líderes conservadores da América Latina, diz que a reeleição do Presidente Bolsonaro é essencial para garantir a liberdade no continente

A liberdade – é isso que está em jogo no Brasil nas eleições deste domingo (2), segundo José Antonio Kast, fundador do Partido Republicano do Chile, ex-candidato presidencial e líder da Political Network for Values, uma rede internacional de políticos que defendem a vida, a família e as liberdades fundamentais.

Kast, um dos mais influentes líderes conservadores da América Latina, gravou um vídeo no qual apoia ao Presidente Jair Bolsonaro em sua campanha de reeleição. O vídeo foi divulgado na sexta-feira, 30 de setembro, pelo próprio mandatário na sua conta de Twitter.

O político chileno e seu partido desempenharam um papel fundamental no processo que derrotou, há um mês, a proposta de uma nova Constituição no Chile. O BSM falou com ele. Este é o nosso diálogo:

BSM: Qual é a importância das eleições brasileiras para a América Latina?

José Antonio Kast: Acho que a eleição deste domingo tem grande importância. O Brasil é o gigante do Sul e desempenha um papel muito importante no continente. O que acontece no Brasil nos afeta a todos, positiva ou negativamente. E é um dos poucos países de nossa região que não está nas mãos da esquerda radical e tem um bom governo.

BSM: Como você vê o governo Bolsonaro?

José Antonio Kast: O governo do Presidente Bolsonaro é um exemplo para outros países da região. São quatro anos de maior progresso, segurança e liberdade no país. Basta olhar para seus indicadores econômicos, que são positivos apesar da grave crise da pandemia. É um governo que respeita as liberdades e os valores dos brasileiros.

BSM: O que está em jogo para o Brasil neste domingo?

José Antonio Kast: Neste domingo, no Brasil está em jogo sua liberdade.

BSM: Uma eventual reeleição de Bolsonaro teria algum impacto na onda vermelha que está espalhando-se no continente?

José Antonio Kast: Seria sem dúvida um grande sinal e um freio para esta esquerda radical que se expande em nossa região com base em falsas promessas.

BSM: Que ameaças representa para a região um eventual retorno de Lula ao poder?

José Antonio Kast: A liderança negativa de Lula no Brasil espalhou seus tentáculos para outros países. Lembre que ele fundou o Fórum de São Paulo junto com Fidel Castro. Sob Lula e Dilma, o país caiu, aumentou a insegurança e a inflação, ameaçou direitos e liberdades, e fomentou um conflito crescente. Se Lula voltar ao poder, tudo isso voltará. Hoje o Chile está no mesmo caminho, nosso atual presidente é um admirador de Lula.

BSM: Qual é a situação no Chile no momento com o governo Boric?

José Antonio Kast: Estamos em um momento econômico crítico, onde apesar de estarmos na primavera e no verão, continuaremos em um inverno cada vez mais rigoroso, particularmente para a classe mé dia e os mais vulneráveis. As economias das pessoas se esgotaram e o crédito está se tornando impossível de pagar. O custo de vida subiu a níveis históricos e o valor do dinheiro está se depreciando como nunca antes. Os empregos formais estão em declínio e, para a vida dos chilenos comuns, a instabilidade e a incerteza definem a agenda. Infelizmente, este Natal será um dos mais tristes para milhões de chilenos em muito tempo, onde longe de comemorar, nossas comunidades experimentarão dificuldades e situações muito complexas.

BSM: E o governo?

José Antonio Kast: O governo não entende. Continua a propor um aumento dos impostos, um imposto sobre a poupança e um pacote de medidas contra o investimento e o crescimento econômico. É uma verdadeira bomba econômica para o país, 10 vezes mais complexa do que a reforma de Michele Bachelet e que só irá aumentar a pobreza, a desigualdade e a estagnação dos chilenos.

 BSM: E quanto à segurança?

José Antonio Kast: O governo não tem nenhum plano e nenhuma resposta. O crime, o tráfico de drogas e o terrorismo estão tomando conta do país de norte a sul e a imigração ilegal está cruzando incontrolavelmente nossas fronteiras.

BSM: O Chile rejeitou em plebiscito um projeto para uma nova Constituição...

José Antonio Kast: Sim, 8 milhões de chilenos votaram para acabar com o processo constituinte, mas também votaram para rejeitar o programa radical de Gabriel Boric e o presidente ainda não o entendeu. O resultado do plebiscito foi uma derrota gigantesca para Boric e seu governo.

BSM: Como o senhor explica este resultado contundente?

José Antonio Kast: A proposta de nova Constituição era muito ruim, e o processo de elaboração causou muitos danos ao país e aos chilenos. Era uma proposta ideológica e dividia aos chilenos. E isto foi percebido pela sociedade. Foram dois anos perdidos para o Chile e dois anos de enorme sofrimento, insegurança e incerteza para todos. Graças a Deus, o bom senso prevaleceu.

BSM: O papel do senhor e de seu partido na campanha pelo "rechaço" foi muito importante...

José Antonio Kast: Penso que, com toda sinceridade, devemos reconhecer o papel decisivo desempenhado pelos líderes, intelectuais e cidadãos e por todos os movimentos sociais que trabalharam e apostaram pela vitória da rejeição. Muitos deles tiveram a coragem de pagar custos pessoais e enfrentar a incompreensão pelo bem de Chile.

BSM: Por que o senhor diz que o resultado foi uma derrota para o governo de Boric?

José Antonio Kast: Porque o Presidente Boric abandonou seu dever de trabalhar para todos os chilenos e tornou-se o chefe de uma campanha eleitoral pelo " aprovo", usando todo o peso do Estado para influenciar o resultado do plebiscito. E agora, apesar da contundente rejeição do projeto da Nova Constituição, Boric e a esquerda radical estão determinados a reiniciar um novo processo constituinte.

BSM: Mas isso é uma loucura...

José Antonio Kast: De fato.

BSM: Qual é a saída?

José Antonio Kast: Juntamente com outros cidadãos e forças políticas do país, estamos tentando assegurar que quaisquer mudanças na Constituição sejam feitas pelo Congresso, pois este é o órgão competente para fazê-las. Os próximos anos serão muito difíceis para todos os chilenos, especialmente para a classe média e mais pobre. Temos que recuperar o Chile e reconstruir nosso país, superando a miséria e a divisão.

 

 


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